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O papel dos professores e alunos na interação em sala de aula
O planejamento tem função fundamental nas relações interpessoais em sala de aula. Não apenas no que será feito, mas especialmente no que pretendemos que aconteça no processo educativo. Quando buscamos encontrar as causas de tantos problemas disciplinares em sala de aula, o que primeiro aparece é a falta de comunicação das metas de cada disciplina e da escola como um todo. Os alunos normalmente não sabem para onde estão caminhando. Têm consciência apenas de que precisam estar na média e passar de ano.
O que está acontecendo com as escolas, com os professores, com os alunos e com as famílias?
O conhecimento da realidade que envolve a escola corresponde a um passo muito importante para o planejamento atender às expectativas mais próximas das pessoas envolvidas no processo, em especial os alunos. Assim é possível ajudá-los a encontrar sentido no que fazem e o processo de aprendizagem fica mais significativo. Ter claros os motivos do que está acontecendo em sala de aula ganha uma força de resultados que pode superar questões relacionais consideradas graves em apenas discordâncias ou pensamentos diferentes, reforçando o posicionamento, a autonomia, a participação.
As relações interpessoais requerem confiança, clareza de intenções, propostas e muita comunicação. Tanto os jovens como as crianças precisam estabelecer metas tangíveis e ter apoio para concretizá-las. A função primordial do educador é ser o mediador dessas conquistas, levando em conta cada superação do aluno, registrando seus avanços e sabendo dar o retorno de maneira a alavancar novas ações. Muitas vezes esse retorno não chega a acontecer, causando muitas frustrações. Eventualmente ele acontece de maneira a fortalecer o erro como algo grave e não como processo de crescimento do ser humano.
A educação tem recebido tantas críticas que acaba desanimando quem trabalha nela. Dados atuais da Unesco sobre o Brasil são assustadores, referindo-se à falta de criticidade e pensamento lógico, principalmente nos jovens concluintes do Ensino Médio. Para muitos educadores responsáveis pelo desenvolvimento educacional do país está claro que falta a essência no relacionamento do educando, a base afetiva familiar, então ele consequentemente não respeita a si mesmo, seus colegas, seus professores. Assim seu processo de aprendizagem fica muito prejudicado. São questões relacionais que afetam diretamente essa problemática.
O que fazer diante do contexto educacional que estamos vivendo? Essa pergunta deve ser uma constante no dia-a-dia do educador, em nossos planejamentos e pesquisas. Como direcionar as ações de maneira a recuperar a imagem educacional e construir uma nova sociedade em que as pessoas dialoguem, partilhem, planejem, convivam e superem os conflitos?
O tempo agora é de retomada, que implica estabelecer metas conjuntas, oferecer ajuda, promover atividades pensantes que estabeleçam proximidade com o mundo de experiências; não mais trabalhar conteúdos sem sentido, mas dar sentido aos conteúdos, construindo conhecimentos junto com o educando. Essas atitudes do educador vão mudar as relações em sala de aula e exigir autoavaliação e planejamento constantes, não
só do professor como também do aluno.
Para mudar é preciso sensibilizar o educando, dar sentido ao que fazemos, deixar fluir os motivos e dirigir a prática usando muita criatividade e interação. Atuar de maneira competente em tudo que fazemos favorece as relações interpessoais e promove melhorias no desenvolvimento integral do ser humano. Apenas é preciso coragem para começar.
Carmem Duarte
Consultora educacional da Editora Dom Bosco, pós graduada em Supervisão Escolar
